“Bons Vizinhos” vigilantes das Comunidades na Província de Maputo, sentem-se felizes e capazes de resolver qualquer problema relacionado a Violência após formação beneficiada pela CÁ-PAZ.

 


Arlina Cunge : Como a senhora Rabeca ficou a saber da capacitação “ Bom vizinho “ que a CA-PAZ esteve fornecer?

Rabeca Marcelina: Eu soube da capacitação “Bom vizinho através da Dr. Marcelina , após ela ter se apresentado ao meu bairro , a fim de capacitar algumas mulheres para puderem ajudar a comunidade de Tsalala, através das estruturas do bairro fui uma das primeiras seleccionadas no ano de 2021, fomos formadas em um número de 7 , mas 3 desistiram e ficamos 4.

 

Arlina Cunge: Qual é a sua motivação para ajudar as vítimas de violência?

Rabeca Marcelina: A minha motivação para este bem, é despertar a comunidade, não permitir actos de violência e sempre saber defender-se, essa é a minha grande motivação.

 

Arlina Cunge: Qual é a abordagem que os bons vizinhos e em particular a Senhora Rabeca usa para ajudar as vítimas de violência?

Rabeca Marcelina: Eu consciencializo as pessoas a não viverem em um ambiente violento, aconselhando-as à procurarem sempre ajuda nos bons vizinhos ou mesmo na Ca-PAZ , nós estamos sempre aqui para ajudar aa todos.

 

Arlina Cunge: Ser uma boa vizinha é estar ao serviço da comunidade, a senhora exerce as suas funções simplesmente no bairro de Tsalala ou em outras comunidades?

Rabeca Marcelina: Trabalho no bairro de Tsalala , mas não recuso de atender casos de outras comunidades próximas ou distantes , quando há casos distante, não estamos vedados.

 

Arlina Cunge: Qual é a faixa etária que mais procura atendimento?

Rabeca Marcelina: Quase todas faixas etárias, mas recebemos mais casos de menores de idade (crianças).

 

Arlina Cunge: Uma vez que teve a formação na CA-PAZ e “ O bom vizinho “ é parceiro desta mesma associação, tem recibo algum subsídio vindo da organização?

Rabeca Marcelina: Não, não recebemos nenhum subsídio vindo da CA-PAZ e nem de nenhuma outra organização, mas temos o apoio de crédito e o dinheiro de transporte quando há necessidade de deslocar-se.

 

Arlina Cunge: Que dificuldades os bons vizinhos frequentam?

Rabeca Marcelina: Felizmente nas Instituições públicas somos bem recebidos, mas temos uma ainda por apresentar a CA-PAZ é o financiamento, há casos em que as vítimas precisam de apoio em matérias que nós não temos, tenho como exemplo o caso de uma criança que estava perdida e eu levei-a a esquadra e foi bem recebida , apesar de eu ter voltado para ter certeza.

 

Arlina Cunge: Quantos casos a senhora Rebeca atende em média?

Rabeca Marcelina: Pelo facto de existirem boas vizinhas bem formadas pela CA-PAZ , o número de casos de violência tem a tendência de diminuir, pois há casos que são atendidos directamente no escritório da CA-PAZ facto esse que dificulta na contagem correcta dos caso .

 

Arlina Cunge: Pode partilhar connosco a história mais sensível de violência que atendeu?

Rabeca Marcelina: Bom, já resolvi casos difíceis nesses 3 anos, mas o mais complicado e o que mexeu comigo tinha a ver com crianças órfãs abandonadas e que uma parte delas está a engrenar no mundo da prostituição, mas através da CA-PAZ conseguimos convencer as crianças a voltarem à integrar-se na escola e graças a junção dos esforços dos “Bons vizinhos e da CA-PAZ, a mais velha está formada e batendo portas para o mundo do trabalho. Não foi fácil pois tivemos que passar em várias instituições como: o chefe do quarteirão, estruturas do bairro, posto administrativo, direcção da escola e outros.

 

Arlina Cunge: No que diz respeito a tomada de decisões, o “ bom vizinho” é autónomo ou segui regras e instruções de alguma organização?

Rabeca Marcelina: Não, não somos autónomos, mas depende de cada caso. Casos mais leves, nós resolvemos aqui, mas casos mais complicados são reportados por nós aos escritórios da CA-PAZ, e o problema é resolvido lá.

 

Arlina Cunge: Sente-se feliz por fazer parte dessa esfera que está ao serviço da comunidade?

Rabeca Marcelina: Sim, sou muito feliz, pois para além de ajudar alguém , salvar vidas , a comunidade sente-se segura tendo pessoas como nós para ajudar na resolução dos seus problemas, estar ao serviço da comunidade me eleva como mãe e como mulher, sinto-me útil na sociedade em que me íntegro .

 

Arlina Cunge: Como é trabalhar na comunidade?

Rabeca Marcelina: Não é fácil, esses casos envolvem mais de 1 pessoa, no lado de quem perde o caso sempre me olha mal , mas como eu realizo essa actividade por gosto e amor , eu não me importo, eu estou ao serviço da comunidade e ao lado da razão e justiça .

 

Arlina Cunge: Já esteve em situação de ter que resolver um caso em que uma das vítimas não cedia para a resolução de algum caso de violência ?

Rabeca Marcelina: Sim , já tive o caso de um casal em que o marido não cedia e não abria espaço para conversações , mas felizmente conversei com um dos pares em particular e de seguida com o casal em simultâneo e a situação foi resolvida. Felizmente foi um caso de sucesso tanto que o casal está contrair o matrimônio.

 

Entrevistadora : O campo de violência é amplo , sente-se capacitada pra resolver qualquer caso de qualquer tipo de violência?

Entrevistada: Sim , após a formação da CA-PAZ , eu posso resolver problemas relacionados a qualquer tipo de violência, quer seja violência física, psicológica, financeira, matrimonial, sexual e outros problemas relacionados ao dia-a-dia na comunidade.

 

 

Entrevistadora : Que conselho dá pessoas que tem receio de juntar-se ao “Bom vizinho e a CA-PAZ” ao serviço da comunidade?

Entrevistada: O conselho que deixo é que quanto mais pessoas estiverem nessa causa, mais pessoas com mentes abertas estariam nas comunidades. As pessoas devem apartar-se dos actos de violência, não se pode admitir casos de violência, a questão de igualdade de género veio melhorar muita coisa, hoje em dias as mulheres sabem defender-se.

 

Jornalista-Arlina Cunge

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