Qual
é a sua nacionalidade e onde mora actualmente?
Eu
sou Moçambicana, da província de Tetê, mas depois que me casei tive que vir
morar em Maputo, pelo facto de ter me casado com um cidadão Maputense.
Como
chegou a CÁ-PAZ?
Cheguei
em 2008, participei da primeira capacitação dos bons vizinhos, passados 2 anos
a CÁ-PAZ me encaminhou a liga dos direito humanos, para que eu pudesse ter uma
pequena formação na área, fiquei lá 3 meses. Depois comecei a implementar tudo
que aprendi durante as formações e até hoje estou a trabalhar nessa área.
Quais
foram os desafios enfrentados no processo de formação como boa vizinha?
Tendo em conta que nós estudávamos enquanto
estagiávamos, alguns dos desafios foram: combate à violência e empoderamento da comunidade, ou seja, fazer
com que a comunidade tenha a capacidade de resolver seus próprios problemas.
Qual
foi o aprendizado adquirido durante a formação?
Aprendi
o que são direitos e deveres, aprendi o que é violência doméstica, quando um
acto é considerado crime, como resolver pessoalmente os problemas da comunidade
e como encaminhar os casos de violência a outras instâncias, hoje sou uma
pessoa forte e empoderada.
Quando
é que há necessidade de encaminhar um caso a outros órgãos e como é feita a
transição de um caso da comunidade para tais órgãos?
Nós
recebemos os casos, tentamos resolver, mas quando nos parece difícil ou não nos
diz respeito, verificamos onde seria ideal encaminhar o caso, ou para acção
social, para a política, para o tribunal, até mesmo para o hospital e depois de
encaminhar o caso acompanhamos todo o processo de resolução, até que tudo dê
certo.
Dê-nos
exemplo de um caso resolvido na comunidade pelos bons vizinhos e de um que foi
necessário encaminhar para outras instâncias?
Por
exemplo: para o caso de crianças que vivem em condições precárias, nós nos
dirigimos a direção das escolas, explicamos a situação das crianças para que
estas passam estudar sem que lhes seja cobrado o valor do material, matrícula,
entre outros.
Falando
agora de um caso encaminhado, há pouco tempo atendi um caso em que uma mulher
cortou o seu marido com recurso a uma garrafa, levamos o senhor ao hospital,
mas pra tal foi necessário solicitar uma guia de encaminhamento na polícia,
depois disso o senhor denunciou a sua esposa, porém depois de algum tempo ele
perdoou ela e pagou a fiança, vejamos que nesse caso foi necessário recorrer ao
hospital e a polícia.
Exemplo
de um caso que lhe foi muito difícil resolver
Foi
o caso de uma família que não tinha condições para comprar uma urna para o seu
atiquirido, a acção social sempre me dizia que não tinha dinheiro, quando me
dirigia a funerária, diziam que a acção social tem muitas dívidas, por essa
razão não me podiam conceder a urna. Isso é algo que até aos dias de hoje
acontece, por isso me é difícil ajudar as comunidade nessa situação, e isso
acontece mesmo em situação de crianças pobres, já não me dão sexta básica faço
tudo por conta própria.
Quais
são as dificuldades que tem enfrentado no seu trabalho?
A
maior dificuldade é a falta de apoio monetário para a resolução de alguns
problemas.
Quais
são os tipos de caso que têm assistido?
Eu
trabalho mais com violência e criminalidade.
Em
caso de haver muita procura pela ajuda da dona Leopoldina, qual é o critério de
escolha de casos a priorizar?
Atendo
primeiro, quem for o primeiro a chegar, mas se haver um caso urgente dou
prioridade. E também há casos em que solicito pela ajuda da CÁ-PAZ.
Como
é feita transição dos casos da comunidade para a CÁ-PAZ?
Levamos
as vítimas a sede da CÁ-PAZ, mas só quando nos é difícil resolver.
Como
é que a senhora como boa vizinha, identifica pessoas precisando de ajuda nas
comunidades?
Sabemos
que com muita facilidade situações de violência se espalham nas comunidades,
sempre que alguém ouve falar de um caso de violência me conhecendo, vem me
informa acerca do caso, e vamos até o local para atender este caso.
Tem
comunidades específicas de actuação, ou independentemente do lugar, a senhora
desloca-se e faz o seu trabalho?
No
princípio eu só actuava no meu bairro, trevo, onde me conhecem como Madrinha
contra a violência, mas quando fiquei mais famosa começaram a me solicitar
noutros bairros, é daí que comecei a trabalhar em todos os bairros da Matola.
Sempre que chego num bairro em que já temos lá um bom vizinho, trabalho em
comunhão com esse bom vizinho, porque todos nós somos um só.
Qual
é a média de casos que têm assistido semanalmente?
Antigamente
eu atendia 15 casos, ou mais, mas actualmente é possível atender 2.
Já
recebeu críticas do seu trabalho?
Não,
sempre recebi um feedback muito positivo, só conhecida nos hospitais, escolas,
postos policiais e sempre me recebem muito bem.
O que têm feito para sensibilizar as pessoas a
aderir a essa causa e fazer parte dos bons vizinhos?
Converso
com as pessoas, mostro como tenho feito o trabalho, como as pessoas me
consideram e a confiança que conquistei da comunidade.
Qual
é a sua satisfação como boa vizinha?
Eu
estou feliz, ganhei fama e confiança das pessoas e dos sectores públicos com os
quais tenho trabalhado.
Ludimila Bata & Zuleica
Chambule

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